Reduto dos Engraxates

Inovação, Nostalgia e Futuro

Hoje fiz algo que não fazia há pelo menos 40 anos. Antes de você achar que foi pura nostalgia, explico o motivo.


Memórias de Infância

Eu lembro do primeiro dinheiro que ganhei… Algo equivalente a R$ 2,00, aos seis anos.

Meu avô me “emprestou” as ferramentas e materiais que ele usava pessoalmente para engraxar sapatos.

Eu fiz uma caixa que parecia o máximo possível com aquelas que os engraxates da minha infância carregavam pelas praças.

De posse de todos os instrumentos, treinei nuns sapatos velhos, largados no sítio.

E quando achei que sabia como fazer o serviço, “cobrei” os R$ 2,00 dar um trato nos sapatos do meu pai.

Talvez não possa considerar isso uma remuneração de verdade, mas pareceu assim na época.

Receber pagamento por ter feito algo. Fiquei orgulhoso.

E, durante a vida, repeti esse processo diversas vezes nas funções que ocupei. Passei de “engraxate” temporário a professor, empreendedor, consultor de inovação, etc…


Realidade atual

Hoje, passeando por um shopping em São Paulo, e com tempo livre demais (coisa rara), me deparei com um estande de engraxate.

Mais moderno do que simplesmente encostar um baú de madeira num banco de praça.

Ainda assim, uma coisa cada vez mais rara atualmente (veja um exemplo nesse link).

Resolvi sentar e contratar o serviço. Meus sapatos estavam realmente gastos, confesso. E, durante 40 anos, eu nunca parei para ter os sapatos engraxados.

Em dez minutos, um senhor de mais de sessenta anos fez meu calçado velho parecer recém-comprado. O serviço custou R$ 30,00.


Conflitos e Dilemas

No mesmo corredor do shopping, passos adiante, há um outro quiosque que eu precisei usar meses atrás. Onde as recepcionistas (duas moças de vinte e poucos anos) me orientaram a usar a máquina de autoatendimento para ter meu problema resolvido.

As duas não perceberam que estão me treinando (e a todos os clientes) para poder viver sem elas.

Enquanto o sexagenário engraxate continua exercendo uma profissão quase extinta.

Sou capaz de apostar que ele ainda vai estar lá depois que o outro quiosque der lugar somente à máquina.


Inovação, Nostalgia e o Futuro

A inovação pode ser uma força avassaladora, especialmente a de base tecnológica.

Que varre do mapa empregos, sem dó nem piedade, a favor de objetivos de negócio bastante claros. Cortar custos e absenteísmo, por exemplo.

Mas talvez os “artesãos da conexão e compaixão humana” sobrevivam a qualquer onda de novas máquinas e robôs.

Afinal, a melhor parte de engraxar os sapatos foi a experiência, o bate-papo, o olho no olho, o contato.

E esse raciocínio vale para todas as áreas.

Como mudará, por exemplo, a profissão dos médicos radiologistas a partir dessa notícia:

Câncer de mama: inteligência artificial bate médicos em diagnósticos!

(leia a notícia aqui)

Ou dos professores, engenheiras, designers, arquitetas, advogados, e… todos os outros?

Recomendo assistir à fala do cientista e investidor Kai-fu Lee, sobre como a Inteligência Artificial pode salvar nossa humanidade (para acessar clique aqui).

E quem sabe ler meu outro post sobre Empregabilidade Vitalícia (veja aqui).


Quero acreditar num futuro em que já tenhamos descoberto como equilibrar a transformação digital e a reinvenção da nossa civilização, com mais humanidade.

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